Monitoramento da Qualidade do Ar da Grande Manaus
Rodrigo Augusto Ferreira de Souza

O projeto tem como propósito mapear, em alta resolução espacial e temporal, a qualidade do ar na Região Metropolitana de Manaus (RMM), além de outros municípios da Amazônia, utilizando uma rede distribuída de sensores de baixo custo. A iniciativa combina ciência aberta, participação social e inovação tecnológica, gerando dados operacionais para vigilância ambiental, saúde pública e gestão de riscos (queimadas florestais, queima de combustíveis, atividades industriais, entre outros eventos de poluição).
Por que sensores de baixo custo?
Sensores ópticos e eletroquímicos modernos e de baixo custo permitem estimar a concentração de diversos poluentes (Material Particulado – MP, NO₂, O₃, CO, entre outros) e elementos meteorológicos na atmosfera (temperatura e umidade) com alta frequência temporal (minutos) e cobertura espacial. Embora não substituam estações de referência (centenas de vezes mais caras), eles complementam a rede oficial, revelando a variabilidade destes poluentes na atmosfera, os horários e eventos críticos próximos às vias, portos, áreas industriais e zonas de queimadas, a fim de informar a população e órgãos de controle.
Metodologia e garantia da qualidade:
• A colocalizarão com estações e amostradores de referência de parceiros para calibração e verificação de desempenho é sempre importante;
• A utilização de modelos de correção (p.ex., regressão multivariada ou ML), incorporando umidade/temperatura e “drift” do sensor pode ser utilizada para remover viés;
• Validação cruzada com outras fontes de dados é importante para detecção de outliers e rotinas de manutenção preventiva.
Rede de monitoramento:
• Unidades de monitoramento da qualidade do ar são fixas em pontos estratégicos (escolas, postos de saúde, universidades, prédios públicos, comunidades);
• Unidades móveis podem ser embarcadas em veículos e embarcações para varreduras rápidas e campanhas sazonais (estiagem/cheia) também podem ser realizadas;
• Telemetria em tempo quase real (Wi-Fi/LTE), com buffer local durante quedas de sinal, além de armazenamento de dados na própria estação de monitoramento em cartão de memória.
O SELVA (Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental):
A Plataforma SELVA, que também pode ser acessada como um aplicativo em sistemas Android e IOs, é uma ferramenta inovadora desenvolvida na Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O principal objetivo do SELVA é mapear eventos críticos na Amazônia, como queimadas, fumaça e qualidade do ar, combinando tecnologia, ciência cidadã e educação ambiental. Ele busca aproximar a ciência da sociedade, oferecendo dados úteis para a população, órgãos públicos, pesquisadores e comunidades locais (tradicionais). Além disso, a plataforma utiliza dados de sensores de qualidade do ar de baixo custo, dados de satélites ambientais e informações de modelos numéricos ambientais.
Basicamente, o SELVA atua em três frentes:
1. Proteção da saúde da população: emitindo notificações, por e-mail aos usuários cadastrados na plataforma, em dias críticos para poluição do ar;
2. Combate a crimes ambientais: fornecendo evidências para ações do Ministério Público e autoridades ambientais;
3. Educação Ambiental: engajando escolas e comunidades, envolvendo jovens estudantes no uso da plataforma e no entendimento de problemas ambientais da região.
As informações podem ser encontradas através do site www.appselva.com.br ou pelo aplicativo disponível nas plataformas (Android e IOs). Dúvidas podem ser resolvidas através do assistente virtual disponível no aplicativo, em nossa rede social (@selva.educair) ou através do endereço de e-mail: projecteducair@gmail.com.
Integração com o ProQAS/AM e com a UEA:
O projeto se integra ao ProQAS/AM e aos laboratórios do GP-QAT e do GEMMA, ambos da UEA, permitindo correlação ar-água-solos (p.ex., material particulado atmosférico vs. deposição em corpos hídricos). As campanhas móveis podem ser combinadas com a Embarcação de Pesquisa Roberto dos Santos Vieira, ampliando a cobertura sobre áreas ribeirinhas e de confluência.
Impacto esperado
• Gestão baseada em evidências para órgãos públicos (licenciamento, fiscalização, planejamento urbano).
• Apoio à saúde (alertas antecipados para crises respiratórias; séries para estudos epidemiológicos).
• Engajamento social e alfabetização científica com dados abertos e participação via SELVA.
• Pesquisa aplicada: desenvolvimento/validação de algoritmos de correção, modelagem de fontes e previsão de poluição.
Ética, dados e governança
• Privacidade por padrão (anonimização de documentos e geolocalização com precisão controlada).
• Licença aberta para dados agregados e públicos.
• Comitê técnico-científico para revisar ações, divulgar informações e estreitar colaborações.
Síntese: sob a coordenação do Prof. Dr. Rodrigo Souza (UEA), o projeto combina sensoriamento acessível, análise científica rigorosa e participação cidadã. Com a rede de sensores e o app SELVA, a Amazônia ganha visibilidade granular da qualidade do ar, alertas úteis e uma base sólida para decisões públicas e proteção da saúde ambiental.

